terça-feira, 27 de janeiro de 2015

A Arma Escarlate

“Um Harry Potter brasileiro” Foi isso que encontrei em quase todas as resenhas enquanto procurava por “A Arma Escarlate”. Posso dizer que de fato, sobre um primeiro olhar, ou quando explicado rapidamente “A Arma Escarlate” pode ser descrita assim, mas aprofundando se percebe que o livro é muito mais que isso.
O livro conta a história de Hugo, ou melhor Idá, que é um garoto que vive na favela Santa Marta em 1997, a vida no morro é difícil, ele (o morro) é controlado por chefes do tráfico o que leva a constantes tiroteios e conflitos com a polícia. No meio de mais um desses confrontos Idá se descobre um bruxo e recebe a carta da escola de magia do Rio de Janeiro, a Nossa Senhora do Korkovado. Por causa de desavenças com traficantes e juras de morte Idá aceita ir para a escola e recomeçar a vida, foge do morro se despedindo apenas de sua mãe e sua avó, por a qual tem muito carinho.
Decidindo não deixar ninguém da nova vida saber suas origens Idá troca até de nome, passa a se chamar Hugo Escarlate e consegue dar o seu jeitinho de comprar todos os matérias necessários e ingressa na escola. E é na escola que ele conhece os Pixies, um grupo formado por quatro estudantes que além de aprontar muito, ajuda e diverte a todos os alunos. Os Pixies logo chamam Hugo para se juntar com eles e assim ele conhece a linda surfista Caimana, o travesso e nacionalista Vinny, o gentil Capí e o reservado Índio. Com seus novos amigos Hugo tenta de todas as formas esconder o lugar que veio e provar que não é apenas mais um estereótipo do garoto favelado, porém toma ações questionáveis durante toda a história, o que faz com que ele se torne exatamente o que ele não quer ser.
Renata Ventura escreve com maestria esses eventos, descreve uma escola incrível que se encontra dentro do Corcovado, bem abaixo dos pés do Cristo Redentor. Logo de início o leitor já sente aquela expectativa de estar lendo um livro ótimo. Esse é um livro feito para se divertir e refletir, você ri em muitas partes porém também existe várias reflexões e perguntas mais profundas. Os personagens são bem estruturados e com personalidades ótimas.
Devo confessar que os personagens foram o que mais me chamaram atenção, por muitas vezes quis entrar no livro só para dar um “sacode” no Hugo, o Capí fez com que eu caísse de amores por ele com toda sua gentileza e o Vinny fez com que eu me divertisse muito, mas também provocou uma reflexão com seu nacionalismo acentuado e sua clara crítica aos que acham que só as coisas que vêm de fora do nosso país têm valor. Renata usa os sotaques bem destacados, o que a primeira vista parece estranho, mas depois só reforça a personalidade dos personagens. O folclore utilizado é o brasileiro, ao invés de lutar com medusas o “monstro” é a mula sem cabeça, são essas sutilezas que nos fazem sentir em casa. Outra coisa que nos faz sentir-nos em casa são os problemas, a falta de professores, a corrupção e os professores que não explicam direito, quem de nós já não passou por alguma dessas situações?
“A Arma Escarlate” é o primeiro livro de uma série, o segundo: “A Comissão Chapeleira” já foi lançado e eu estou ansiosa para lê-lo. Posso dizer que este livro é o meu livro nacional favorito. A nota é 5! E um viva para a nova literatura brasileira!







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