“Um
Harry Potter brasileiro” Foi isso que encontrei em quase todas as resenhas
enquanto procurava por “A Arma Escarlate”. Posso dizer que de fato, sobre um
primeiro olhar, ou quando explicado rapidamente “A Arma Escarlate” pode ser
descrita assim, mas aprofundando se percebe que o livro é muito mais que isso.
O
livro conta a história de Hugo, ou melhor Idá, que é um garoto que vive na
favela Santa Marta em 1997, a vida no morro é difícil, ele (o morro) é
controlado por chefes do tráfico o que leva a constantes tiroteios e conflitos
com a polícia. No meio de mais um desses confrontos Idá se descobre um bruxo e
recebe a carta da escola de magia do Rio de Janeiro, a Nossa Senhora do
Korkovado. Por causa de desavenças com traficantes e juras de morte Idá aceita
ir para a escola e recomeçar a vida, foge do morro se despedindo apenas de sua
mãe e sua avó, por a qual tem muito carinho.
Decidindo
não deixar ninguém da nova vida saber suas origens Idá troca até de nome, passa
a se chamar Hugo Escarlate e consegue dar o seu jeitinho de comprar todos os
matérias necessários e ingressa na escola. E é na escola que ele conhece os
Pixies, um grupo formado por quatro estudantes que além de aprontar muito,
ajuda e diverte a todos os alunos. Os Pixies logo chamam Hugo para se juntar
com eles e assim ele conhece a linda surfista Caimana, o travesso e
nacionalista Vinny, o gentil Capí e o reservado Índio. Com seus novos amigos
Hugo tenta de todas as formas esconder o lugar que veio e provar que não é
apenas mais um estereótipo do garoto favelado, porém toma ações questionáveis
durante toda a história, o que faz com que ele se torne exatamente o que ele
não quer ser.
Renata
Ventura escreve com maestria esses eventos, descreve uma escola incrível que se
encontra dentro do Corcovado, bem abaixo dos pés do Cristo Redentor. Logo de
início o leitor já sente aquela expectativa de estar lendo um livro ótimo. Esse
é um livro feito para se divertir e refletir, você ri em muitas partes porém
também existe várias reflexões e perguntas mais profundas. Os personagens são
bem estruturados e com personalidades ótimas.
Devo
confessar que os personagens foram o que mais me chamaram atenção, por muitas
vezes quis entrar no livro só para dar um “sacode” no Hugo, o Capí fez com que
eu caísse de amores por ele com toda sua gentileza e o Vinny fez com que eu me
divertisse muito, mas também provocou uma reflexão com seu nacionalismo
acentuado e sua clara crítica aos que acham que só as coisas que vêm de fora do
nosso país têm valor. Renata usa os sotaques bem destacados, o que a primeira
vista parece estranho, mas depois só reforça a personalidade dos personagens. O
folclore utilizado é o brasileiro, ao invés de lutar com medusas o “monstro” é
a mula sem cabeça, são essas sutilezas que nos fazem sentir em casa. Outra
coisa que nos faz sentir-nos em casa são os problemas, a falta de professores,
a corrupção e os professores que não explicam direito, quem de nós já não
passou por alguma dessas situações?
“A
Arma Escarlate” é o primeiro livro de uma série, o segundo: “A Comissão
Chapeleira” já foi lançado e eu estou ansiosa para lê-lo. Posso dizer que este
livro é o meu livro nacional favorito. A nota
é 5! E um viva para a nova
literatura brasileira!





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